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ARTIGO: 5 dicas para você escrever histórias distópicas

1984

Romances e contos distópicos sempre existiram. Contudo, com o advento de Jogos Vorazes, Maze Runner e outras séries literárias, esse tipo de literatura vêm conquistando cada vez mais a cabeça da juventude.  Masa você sabe o que é exatamente uma distopia? Fui buscar o significado no dicionário. No verbete, está assim:

 

DISTOPIAs.f. [Patologia] Posição ou situação anormal de um órgão.

Local imaginário, circunstância hipotética, em que se vive situações desesperadoras, com excesso de opressão ou de perda; antiutopia.

Quaisquer demonstrações ou definições de uma associação social futura, definida por circunstâncias de vida intoleráveis, cujo propósito seria analisar de maneira crítica as características da sociedade atual; além de ridicularizar utopias, chamando atenção para seus males; antiutopia.

(Etm. do grego: dys + topos + ia)

 

Enquanto a utopia prega um caminho ideal a ser seguido, que resulta em cenários social e economicamente ideais, perfeitos e harmônicos, a distopia segue em sentido contrário dessa ideia, sendo uma antítese, apresenta-nos a cenários e sociedades dominadas pela opressão, repleta de regras rígidas e punições terríveis para quem não andar na linha.

Cenários distópicos muitas vezes se camuflam atrás de um bem-estar coletivo e uma aparente utopia alcançada pela opressão, porém, em dado momento, as aparências começam a ruir e os primeiros passos das revoluções acontecem – e é através delas que a histórias conquistam seus leitores.

A seguir, listei cinco dicas que podem ajudar vocês a construírem contos dentro desse gênero. Vale lembrar: são apenas dicas, não regras. Use-as, teste-as em suas histórias e veja o que funciona ou não, afinal, cada escritor tem o seu jeito de usar as palavras.

 

1 – Leia distopias

Devore os clássicos. Use as obras renomadas do gênero para aprender, tenha professores como Ray Bradbury, George Orwell e Aldous Huxley. Para escrever é necessário ler, e ler muito, por sinal. Não caia no papo sedutor de que isso não é tão importante assim.

Outra coisa vital é conhecer bem o gênero. Leia como um escritor, atento aos detalhes, personagens e cenário; note como as reviravoltas são construídas, como as metáforas e críticas são interessantes.

Para a nossa felicidade vivemos em um mundo onde livros não são proibidos, então, devore-os.

 

2 – O cenário é uma parte, mas não é tudo

Battle Royale

Cenários bem detalhados, leis explicadas, personagens imponentes ou impotentes, tudo isso é muito bacana de acompanhar dentro de um conto distópico, porém a história, a narrativa em si, precisa evoluir. Quadros, esculturas ou fotografias, por exemplo, ficam ali, parados, enquanto tocam o admirador. A escrita, não. Ela precisa ser fluída, cativar e transportar o leitor dentro do enredo. Não conte o que acontece com o mundo, a sociedade e os personagens da trama, mostre isso ao leitor. Voltaremos esse ponto no item 4.

O que quero dizer é: não perca todo o tempo que possui para conquistar o leitor dando uma enxurrada de informações para ele. Leve-o para conhecer o cenário com calma. Falarei mais sobre isso no item 5.

 

3 – Critique

Jogos vorazes

Essa é uma parte interessante sobre escrever distopias, criticar a sociedade, as pessoas, o governo, muitas coisas, através de sua história. Uma dica de ouro para quem vai se arriscar no gênero: estude, leia e consuma muitas informações sobre o que deseja criticar. Uma história com críticas superficiais ou sem sentido algum se torna indigesta ao leitor. Escreva com foco. Veja ou leia e analise a crítica imbuída em algumas dessas obras: A Laranja Mecânica, 1984, Metrópolis, V de Vingança, entre muitos outros.

 

4 – Personagens

V

Em qualquer história escrita, os personagens são os responsáveis por atrair o leitor e mantê-lo preso à narrativa. Personagens queridos fazem os leitores sofrerem, rirem ou lutarem junto com eles. Através de suas jornadas dentro de um cenário distópico também podemos desbravar o mundo em questão. Como disse acima, melhor que simplesmente discorrer longos e intermináveis parágrafos explicando o cenário é levar o leitor em uma viagem pelos olhos dos personagens.

Personagens bons costumam tornam-se marcantes aliados a narrativas competentes e cenários bem estruturados. O trabalho não é fácil. Mas, com dedicação e estudo, também algum planejamento da história, fica mais fácil escrever um ótimo conto distópico.

 

5 – A parte que importa

Episódio “White Bear”, da série “Black mirror”

Construir o cenário nem sempre é fácil, porém, deve ser uma das fases mais divertidas quando se escreve uma distopia. Entremear-se nos pilares que tornarão o cenário singular ou peculiar, deve ser feito com atenção e buscar sempre fugir dos clichês, ou similaridades com outras obras do gênero – já temos muitos livros assim atualmente. Então, cuidado para não fazer mais uma cópia barata de algo que já fez muito sucesso. O gênero está saturado atualmente, graças à enxurrada de distopias no mercado, mas sempre haverá espaço para algo realmente digo de leitura.

Permita-se gastar algum tempo na criação do cenário, mesmo que muitos pontos interessantes fiquem de fora na escrita final, conhecer e ter total controle sobre o mundo que criamos ajuda mais que podemos imaginar na hora de efetivamente sentar e escrever.

 

Bônus

Deixo uma lista com indicações de livros do gênero:

  • A Revolução dos Bichos e 1984, de George Orwell
  • Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
  • Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
  • Battle Royale, Koushun Takami
  • Jogos Vorazes (a trilogia), de Suzanne Collins
  • A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess
  • A Longa Marcha, de Stephen King
  • Cidades-Mortas (duologia), de Dêner B. Lopes
  • Não me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro
  • Sede, coletânea de contos da Andross Editora (60% DE DESCONTO NO SITE DA EDITORA)
  • Outrora, coletânea de contos da Andross Editora (60% DE DESCONTO NO SITE DA EDITORA)
  • Céus de Chumbo, coletâneas de contos da Andross Editora

 

E uma sugestão

A Andross Editora está recebendo contos para a publicação em uma coletânea de contos distópicos. O livro tem como título MÃO DE FERRO — CONTOS DISTÓPICOS,  e a organização ficou a cargo da escritora Paola Giometti e do Hugo Sales (eu mesmo!!!!). Qualquer pessoa pode submeter um conto para avaliação e publicação. O lançamento será em outubro de 2017 no evento Livros em Pauta. Vamos participar?

SINOPSE: Lincoln disse que o caráter de um homem é colocado à prova assim que ele é alçado ao poder. E o coração, outrora macio e quente, se torna rijo e gélido, com sede de mais autoridade, conquistada com punhos cerrados e brados graves. Aos oprimidos, restam-lhes apenas esperança e resistência.

Para enviar um conto para avaliação, basta acessar o site www.andross.com.br

Espero que aproveitem as dicas. Continuem a escrever.

 

 

Sobre Hugo Sales

É escritor. Participou de diversas coletâneas literárias até ganhar três troféus do Prêmio STRIX, concedido pela Andross Editora. É editor do blog Legado das Palavras.

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